sexta-feira, 28 de abril de 2017

''Who, What, Were, Why, When?''

Joseph Beuys ''We Won’t Do It without the Rose, Because We Can No Longer Think'', 1972


''boca suturada, emudecida, ''


Helena Almeidaintus. Civilização Editora, Lisboa, 2006., p. 79

«Para ela, ''ver-me'' significa  ''ouve-me com os teus olhos''. Sob o título Ouve-me, a artista apresenta uma fotografia da sua boca cosida.»



Helena Almeidaintus. Civilização Editora, Lisboa, 2006., p. 79

«No teatro-dança, a coreografia, a própria dança, apenas se materializava no acto de ser dançada - a questão colocada por Yeats, ''como distinguir a dançarina da dança?'' vem assim antecipar algumas das mais importantes obras feministas e de body art da década de 1970...»


Helena Almeidaintus. Civilização Editora, Lisboa, 2006., p. 72

''desenho habitado''

'Não me toquéis''

Harry Shunk and János Kender, outtake from the shoot for Yves Klein’s Leap into the Void.


«É preciso não nos levarmos muito a sério.»


Helena Almeidaintus. Civilização Editora, Lisboa, 2006., p. 59

«Voltando ao vídeo, foi um registo que a Helena trabalhou nos finais dos anos 70 mas nunca tinha inserido música e neste último, A experiência do Lugar II, introduz no final uma parte da ária do Orfeu e Eurídice de Gluck, numa versão do Hector Berlioz. Porquê?

Inseri, porque pensei que o Orfeu fez a verdadeira experiência do lugar, tinha ido ao Inferno, tinha ido aos mortos buscar a sua Eurídice na condição de nunca olhar para trás. Portanto eu sou uma mistura dos dois, nunca olhar para trás e simultaneamente sentir a descida aos infernos. Penso muito na descida aos infernos, talvez por todas estas coisas horríveis que acontecem no mundo.»



Helena Almeidaintus. Civilização Editora, Lisboa, 2006., p. 56


«Há coisas que me transcendem, há coisas que eu não suspeitava e que me espantam quando as vejo nos trabalhos. Por outro lado, tenho também que me isolar. Eu era uma pessoa muito mais sociável , passava muito mais tempo com os meus amigos e o ser artista para mim implica isolamento e concentração, que não é compatível com a uma vida social intensa e isso também é pesado. Os trabalhos resultam de uma mistura de muita concentração e, simultaneamente, do estar muito descontraída e de deixar entrar o que vier. É algo que eu sei fazer, mas que não sei explicar como se deve fazer, é agarrar as coisas como um cão de caça.»


Helena Almeidaintus. Civilização Editora, Lisboa, 2006., p. 55/6

«(...), porque há coisas que são arrancadas, que a pessoa não fica a mesma depois de as fazer, deixam marcas.»


Helena Almeidaintus. Civilização Editora, Lisboa, 2006., p. 55
''amor com humor''

The Purple Rose of Cairo (1985)

«O cinema é o céu.»

Personagem Cecília in The Purple Rose of Cairo de Woody Allen
''a sétima arte tem sete vidas''

«Ando em círculo; os ciclos voltam.»


Helena Almeidaintus. Civilização Editora, Lisboa, 2006., p. 53

«(...) porque é que tenho esta solidão e a solidão de outros corpos?»

Helena Almeidaintus. Civilização Editora, Lisboa, 2006., p. 53

Yves Klein and the birth of the blue

Yves Klein with his signature International Klein Blue. Photograph: . Charles Wilp/BPK Berlin
"The imagination is the vehicle of sensibility. Transported by the imagination, we attain life, life itself, which is absolute art."

''azul-cobalto; azul-ultramarino''

''subtileza corrosiva''

«Se a fotografia é o registo do que aconteceu (e, nesse sentido, é morte), o vídeo é o registo do que está acontecendo (e, nesse sentido, é o acto de morrer).


Helena Almeidaintus. Civilização Editora, Lisboa, 2006., p. 15

quinta-feira, 27 de abril de 2017

"Sobre a Liberdade" (Khalil Gibran)

E um orador disse: Fala-nos da Liberdade.
E ele respondeu:
Às portas da cidade e junto à lareira já vos vi prostrados a venerarem a vossa própria liberdade.
Tal como os escravos se curvam perante um tirano e o louvam enquanto ele os açoita.
Ah, no bosque do templo e à sombra da cidadela já vi os mais livres de entre vós usarem a liberdade como grilhetas.
E o meu coração sangrou por dentro; pois só se pode ser livre quando o desejo de encontrar a liberdade se tornar a vossa torta e quando deixardes de falar de liberdade como objetivo e plenitude.
Sereis verdadeiramente livres não quando os vossos dias não tiverem uma preocupação nem as vossas noites necessidades ou mágoas.
Mas quando estas coisas rodearem a vossa vida e vós vos ergais acima delas, despidos e libertos.
E como vos podereis erguer para lá dos dias e das noites a menos que quebreis as cadeias que, na aurora do vosso conhecimento, apertastes à volta do entardecer?
Na verdade, aquilo a que chamais liberdade é a mais forte dessas cadeias, embora os seus aros brilhem à luz do sol e vos ofusquem a vista.
E o que é isso senão fragmentos do vosso próprio ser de que vos libertareis para vos tornardes livres?
Se se trata apenas de uma lei injusta que ireis abolir, essa lei foi escrita com a vossa mão apoiada na vossa fronte.
Não podereis apagá-la queimando os livros das leis, ou lavando as frontes dos vossos juízes, embora despejeis o mar sobre eles.
E se é um déspota que ireis destronar, certificai-vos primeiro de que o trono erigido dentro de vós também é destruído.
Pois como pode um tirano mandar sobre os livres e os orgulhosos, senão exercendo a tirania sobre a liberdade deles e sufocando-lhes o orgulho?
E se se trata de uma preocupação que quereis fazer desaparecer, essa preocupação foi escolhida por vós e não imposta.
E se é um receio que quereis afastar, a origem desse receio reside no vosso coração e não na mão daquele que receais.
Na verdade, todas as coisas se movem dentro do vosso próprio ser em constante meia união, o desejado e o receado, o repugnante e o atraente, o perseguido e o de quem quereis escapar.
Estas coisas movem-se dentro de vós como luzes e sombras, aos pares, agarradas.
E quando a sombra se desvanece e deixa de ser, a luz que resta torna-se sombra para uma nova luz.
Por isso, a vossa liberdade quando perde as cadeias torna-se ela própria uma cadeia de maior liberdade.
Do livro “O Profeta”
"Não exijas que aconteça como tu desejas que aconteça. Antes queiras que aconteçam as coisas como acontecem - e quão feliz, então, não serás tu."

-"Da Vida Feliz"/"Manual"/"Pensamentos"
 Séneca/ Epicteto/ Marco Aurélio

quarta-feira, 26 de abril de 2017


desintegração
do universo de angústia.


Alberto Estima de Oliveira. INFRAESTRUTURAS. Colecção Poetas de Macau, 1999., p. 111


...

vivo
no minuto
o infinito

Alberto Estima de Oliveira. INFRAESTRUTURAS. Colecção Poetas de Macau, 1999., p. 65

''o som dos joelhos''


Helena Almeidaintus. Civilização Editora, Lisboa, 2006., p. 15

« Mas se não são personagens, muito menos serão auto-retratos porque nada nos dizem sobre o corpo concreto ou a natureza psicológica de Helena Almeida. Olhando para as suas fotografias nada ficamos a saber sobre a sua personalidade, gostos, pensamentos, concepção do mundo ou sobre como ela é, hipoteticamente, quando de manhã atravessa a rua para ir tomar um café. Aliás, é comum, nas inaugurações das exposições de Helena Almeida, os espectadores que não a conhecem perguntarem: ''Quem é a Helena Almeida? Onde é que ela está?'' Apesar de estarem rodeados de obras cuja matéria-prima é a imagem da própria artista, são, no entanto, incapazes de a reconhecer ''ao vivo''. Este facto não se deve a qualquer cegueira momentânea ou a uma distância entre o sujeito e o objecto representado, tanto mais que a artista não recorre a máscaras ou acessórios, nem a cenários artificiosos que mudam constantemente, mas apenas a ela própria, o mais neutra possível - com um vestido preto e largo - , e ao seu atelier, também, quase sempre despido de qualquer objecto ou peça de mobiliário.
  Trata-se de um corpo ficcional, na medida em que a sua representação (ou imagem) não possui nem o carácter da personagem, nem a natureza do auto-retrato.»


Helena Almeida. intus. Civilização Editora, Lisboa, 2006., p. 13

segunda-feira, 24 de abril de 2017

Cegueira Moral



Leonidas Donski

Zygmunt Bauman

sociólogo Zygmunt Bauman

fenómenos que marcam os novos tempos, na passagem do século XX para o século XXI: por exemplo, o triunfo das relações laborais precárias, à medida que o trabalho intelectual se impõe sobre o trabalho material; e também o grande fenómeno das migrações e do terrorismo.

Modernity and the Holocaust, 1989

A ideia de uma sociedade líquida ganhou assim o poder de dar uma configuração à nossa época, tal como Bauman a vê: uma época caracterizada pelo triunfo da fluidez, do precário, do transitório, do permeável e do que não se deixa apreender com segurança. Para ele, esta é a condição da sociedade em que vivemos, em todas as suas dimensões, tanto estruturais como super-estruturais, tanto no plano material e económico, como no plano da vida afectiva e intelectual. De certo modo, Bauman, fazendo da noção de liquidez um instrumento de diagnóstico do nosso tempo (e retomando assim a tradição dos diagnósticos sociológicos, à maneira de Simmel), transpôs para a nossa época um princípio semelhante àquele que tinha sido enunciado por Marx e Engels, no Manifesto do Partido Comunista: “tudo o que é sólido dissolve-se no ar”

Liquid Love, 2003

Zygmunt Bauman

Liquid Modernity, 2000

Zygmunt Bauman

sociólogo que nasceu em 1925 em Poznan, na Polónia

terça-feira, 18 de abril de 2017

mátria


"Cada mulher é uma cascata de trevos.
Nessa risada arredondando o tempo
colhe um som Por um trevo serás salvo."
"minha respiração procura
a pátria do relâmpago
onde as mulheres ordenham
os sonhos que nos vivem"

Natália Correia. "Mátria''. Edição do autor, 1968 (1a Edição)

segunda-feira, 17 de abril de 2017



“...considero tudo como perda…

...por amor do qual perdi todas as coisas...."

Filipenses 3:8

agelasta
ɐʒẽˈlaʃtɐ
adjectivo, nome de 2 géneros
que ou pessoa que nunca ri, que não tem sentido de humor

o beija-flor

domingo, 16 de abril de 2017

“O que destrói o Homem não é o sofrimento; é o sofrimento sem sentido!” Víktor Frankl

“Os velhos acreditam em tudo, as pessoas de meia-idade suspeitam de tudo, os jovens sabem tudo”

Oscar Wilde

Sobre o empreendorismo «entreprendre»

A primeira referência ao termo empreendedorismo remonta ao século XVII, estando ligado ao verbo francês «entreprendre», que significa levar a cabo algum projeto ou atividade, isto é, pode ser usado, mais especificamente, para identificar indivíduos que estimulam o progresso económico, encontrando novas e melhores formas de fazer as coisas (Duarte, 2008b). De facto, tal como refere Bull e Willard (1983), foi o economista francês Richard Cantillon que, em 1725, ligou pela primeira vez o empreendedorismo a uma vertente económica, diferenciando o empreendedor (aquele que assume riscos e especula no mercado), do capitalista (aquele que fornece o capital).
“Concentre-se nos pontos fortes, reconheça as fraquezas, agarre as oportunidades e proteja-se contra as ameaças”. (SUN TZU, 500 a.C.)

espezinhamento em procissões

''problemas de digestão de ego alheio''

sábado, 15 de abril de 2017

"Há três métodos para ganhar sabedoria- primeiro, por reflexão, que é o mais nobre; segundo, por imitação, que é o mais fácil; e terceiro, por experiência, que é o mais amargo." 

 Confúcio

ilustrações anatómico-Florais

sexta-feira, 14 de abril de 2017

A fé não é palpável.


''renque de nogueiras''

'' um céu de enxofre sobre
um mar de nuvens''


Simone de Beauvoir
intrepidez
in.tre.pi.dez
ĩtrəpiˈdeʃ
nome feminino
qualidade de intrépidocoragem ante o perigobravuradestemor

egotista

aquele que tem um sentimento exagerado da sua personalidade
''Se a mulher está despolitizada, despolitiza o homem.''

desfolhação

dissemelhanças

existência estéril

''(...) mas para viver a espera só tenho as palavras.''

desmembrar

''O Sangue dos Outros''


''para termos acesso à felicidade devemos saber quem somos''

''felicidade solitária''

Havia quem dissesse que a manhã
seria luz quando uma ave       uma só ave que fosse
entrasse em todas as casas e nós       atentos
acordássemos dentro dos rios



Abel Neves. Eis o Amor   a Fome e a Morte. Edições Cotovia, Lisboa, 1998, p. 65

Intus

''de dentro''

Jorge Henriques, Porto, 1965


«A-EXPERIÊNCIA-DO-CORPO-ENQUANTO-EXPERIÊNCIA-DO-MUNDO-ENQUANTO-EXPERIÊNCIA-DA-ARTE»

carolice cinéfila

quarta-feira, 12 de abril de 2017

Giaconda Belli: 

“Não há nada mais poderoso do que uma mulher. Tem mais poder do que o músculo. Tem mais poder do que as armas. Não há nada mais poderoso do que uma mulher, porque tem por detrás o poder da Igualdade. Tem por detrás o poder de todas as mulheres.”

terça-feira, 11 de abril de 2017

Fotografia Bernard Plossu, Porto, marginal junto da Manutenção Militar, 1998, Coleção Nacional de Fotografia


''popularização da fotografia''

Slogan célebre da Kodak “você prime o botão, nós fazemos o resto”

''Inicialmente a fotografia respondeu à necessidade de fazer um registo objectivo de pessoas e lugares espalhados pelo mundo e, associada a outros meios, como relatórios e jornais, passou a servir de instrumento de controlo de vastos territórios para as grandes potências coloniais. Fotografar era dominar. E isto tornou-se ainda mais verdadeiro com a “democratização” do próprio acto de fotografar.
Em meados do século XIX, quando surgiu a fotografia – no final da década de 1830, ao mesmo tempo em França e na Grã-Bretanha, ambas grandes potências coloniais europeias, lembra James R. Ryan – fotografar requeria toda uma parafernália de instrumentos que tornava esta actividade tecnologicamente complexa e cara. Esta situação alterou-se radicalmente em 1888, com o surgimento da revolucionária Kodak, com o célebre slogan “você prime o botão, nós fazemos o resto”. De repente, lembra o historiador britânico, fotografar era fácil e as câmaras passaram a viajar na mala de altos funcionários destacados para os territórios, de médicos, cientistas, soldados e missionários. E havia até fotógrafos profissionais a fazer carreira em Angola, como J. A. da Cunha Moraes, com bastante sucesso comercial. “Moraes via a sua câmara como um instrumento de conquista e as suas fotografias como registos objectivos da topografia, geografia e antropologia, a ser usados na cartografia e levantamento de territórios coloniais futuros”, precisa Ryan.
A popularização da fotografia, que fez com que, em apenas dez anos, ela se tornasse prática doméstica corrente nos territórios ultramarinos, coincidiu com um impressionante período de expansão europeia. Ela era, ao mesmo tempo, instrumento de hegemonia e de validação das “rotinas e rituais que estruturavam a sociedade colonial”, escreve o historiador britânico, defendendo que não se pode olhar para estas imagens pensando apenas no seu objectivo de servir os regimes colonizadores.
É certo que “a fotografia foi crucial para o exercício e manutenção do domínio colonial”, já que “não reflectia tanto as realidades da vida e paisagem colonial, antes construí-as”, mas isto não significa, sublinha James R. Ryan, que tenha sido sempre ou em exclusivo uma arma de poder colonial e de repressão, como foi sugerido pelos primeiros estudos sobre a matéria. Em anos recentes, adverte, os investigadores têm apontado para “uma relação mais complexa e ambígua entre a fotografia e o império”. Tudo porque, por exemplo, as fotografias feitas para órgãos da administração colonial podiam servir a propaganda oficial mas, ao mesmo tempo, se entregues aos opositores ao império, prestavam-se a denunciar, às vezes com maior eficácia, as suas injustiças, desigualdades e atentados aos direitos humanos, particularmente em foco no artigo que o historiador Miguel Bandeira Jerónimo assina em O Império da Visão (“As provas da ‘civilização’: fotografia, colonialismo e direitos humanos”).
“Há muitas formas de pensar a fotografia, mas é preciso fazê-lo criticamente. Se não o fizermos há o perigo de as reduzir ao seu lado estético, o que é problemático, sobretudo quando estamos a falar de fotografias como estas, feitas num contexto de hegemonia, desigualdade e violência”, acrescenta Filipa Vicente.
É claro que há beleza nas paisagens fotografadas, nas mulheres e nos trajes tradicionais, mas há muito mais do que isso. A questão das mulheres, nota uma vez mais a historiadora, é particularmente interessante porque é também a partir do corpo feminino que se pode reflectir sobre as fronteiras difusas que a fotografia colonial tantas vezes desenha. “Há um grande exotismo na fotografia das mulheres negras cujo corpo, ao contrário do das mulheres brancas, pode ser exposto. Mas os limites entre o erótico e o etnográfico são confusos, mal definidos, e essa ambiguidade está lá desde o momento da produção da imagem.” Está lá a mostrar que a hegemonia colonial é também uma hegemonia patriarcal, como defende o antropólogo Carlos Barradas no seu artigo para este volume, “Descolonizando enunciados: a quem serve objectivamente a fotografia?”.''
in Jornal Público. Ver aqui

''o uso da fotografia na intimidade''

historiografia da fotografia

''As fotografias são objectos difíceis e as dos impérios coloniais ainda mais''

''Fotografias soltas numa caixa de cartão. Há de casamentos, baptizados, trabalhadores no campo, desfiles de minhotas trajadas a preceito e muitos retratos de crianças com dedicatórias, daqueles que era costume enviar a tios e avós na altura das festas. Na banca seguinte são os álbuns de guerra que guardam as imagens de um império que começava a deixar de o ser de forma irreversível. Num e noutro caso é de pessoas desconhecidas que se trata. Num e noutro caso é de memória que falamos, de um património visual de onde se pode partir para reescrever histórias privadas que fazem parte de uma narrativa partilhada.''


in Jornal Público

segunda-feira, 10 de abril de 2017


amar

descobrir
a proposta 
do infinito.




Alberto Estima de Oliveira. INFRAESTRUTURAS. Colecção Poetas de Macau, 1999., p. 65

absurdo como conceito
paradoxo como refúgio


é urgente ter asas.




Alberto Estima de Oliveira. INFRAESTRUTURAS. Colecção Poetas de Macau, 1999., p. 63

Holy nothing e Bored in the U.S.A.

canções trágico-cómicas


Álbum: Pure Comedy

Father John Misty

Father John Misty:

 “O amor não é poesia. É o que inventámos para sobreviver”

Bruno Barbey; Nazaré, Portugal, 1985.



entrelacei as mãos atrás (nas costas)
e vadiei nas ruas desertas
nas paredes sujas
no desespero rasgadopor ancinhos de fogo
no solo sagrado da amargura.

com o luar esverdeado
no lodo dos pântanos:

arrozais regados a sangue
no estio da loucura.


Alberto Estima de Oliveira. INFRAESTRUTURAS. Colecção Poetas de Macau, 1999., p. 49

as pedras
são dias soltos
como as folhas


de sonhos o cimento
e o amor
e o tecto

dentro 
o momento concreto.


Alberto Estima de Oliveira. INFRAESTRUTURAS. Colecção Poetas de Macau, 1999., p. 47

o que transcende
na memória
do diálogo
é a mensagem
contida 
no voo migratório.




Alberto Estima de Oliveira. INFRAESTRUTURAS. Colecção Poetas de Macau, 1999., p. 45

o evidente
consolida-se 
ímpar
na construção 
do diálogo.



Alberto Estima de Oliveira. INFRAESTRUTURAS. Colecção Poetas de Macau, 1999., p. 43


« em cada lágrima 
                        quente

o sal da noite fria.»


Alberto Estima de Oliveira. INFRAESTRUTURAS. Colecção Poetas de Macau, 1999., p. 35
« no esplendor dos prados
o orgasmo das flores.»


Alberto Estima de Oliveira. INFRAESTRUTURAS. Colecção Poetas de Macau, 1999., p. 27

« és levado à boca hipócrates»


Eva Christina Zeller. Sigo a Água.Tradução e Prefácio de Maria Teresa Dias Furtado. Relógio D'Água. Lisboa, 1996., p. 71

«quisera ser eu mas como eu sou eu quero apenas partir
descendo o rio cada árvore uma outra árvore cada eu um
                                                                                                                        outro»



Eva Christina Zeller. Sigo a Água.Tradução e Prefácio de Maria Teresa Dias Furtado. Relógio D'Água. Lisboa, 1996., p. 87

''as cores doem''


Eva Christina Zeller. Sigo a Água.Tradução e Prefácio de Maria Teresa Dias Furtado. Relógio D'Água. Lisboa, 1996., p. 79

«fechas-me no teu coração»


Eva Christina Zeller. Sigo a Água.Tradução e Prefácio de Maria Teresa Dias Furtado. Relógio D'Água. Lisboa, 1996., p. 73

Joalharia


«não voltes fica morto entre os mortos»



Eva Christina Zeller. Sigo a Água.Tradução e Prefácio de Maria Teresa Dias Furtado. Relógio D'Água. Lisboa, 1996., p. 71

a água não tem lugar


Eva Christina Zeller. Sigo a Água.Tradução e Prefácio de Maria Teresa Dias Furtado. Relógio D'Água. Lisboa, 1996., p. 63

«esqueço o despontar do dia e os pássaros»



Eva Christina Zeller. Sigo a Água.Tradução e Prefácio de Maria Teresa Dias Furtado. Relógio D'Água. Lisboa, 1996., p. 63

''(...) não amo o tempo.''


Eva Christina Zeller. Sigo a Água.Tradução e Prefácio de Maria Teresa Dias Furtado. Relógio D'Água. Lisboa, 1996., p. 47

''(...) para dar água às lágrimas''

Eva Christina Zeller. Sigo a Água.Tradução e Prefácio de Maria Teresa Dias Furtado. Relógio D'Água. Lisboa, 1996., p. 45

AQUEDUCTUS

''(...) hão-de visitar-te os dias tristes''


Abel Neves. Eis o Amor   a Fome e a Morte. Edições Cotovia, Lisboa, 1998, p. 38


«(...)                                                    Quem dera
que fosse ontem     tu estarias
a chegar e os beijos seriam os primeiros
a até aqui tudo bem      as coisas a portarem-se bem
mas o caralho é hoje  »


Abel Neves. Eis o Amor   a Fome e a Morte. Edições Cotovia, Lisboa, 1998, p. 28/9

À MESA VOLTADO PARA ORIENTE


Sento-me para escrever e já tudo acabou
Um golpe de maré    mais ou menos     sim
Os dedos sendo agora algas
querem a lembrança    mas de quê?



Abel Neves. Eis o Amor   a Fome e a Morte. Edições Cotovia, Lisboa, 1998, p. 28

« o problema é que     mesmo que andasse por aí
a esperança não seria para todos»



Abel Neves. Eis o Amor   a Fome e a Morte. Edições Cotovia, Lisboa, 1998, p. 27

(...)

«Soube      por olhar o rio algumas vezes      este rio
e outros
que o nada é nada e o tudo é tudo»




Abel Neves. Eis o Amor   a Fome e a Morte. Edições Cotovia, Lisboa, 1998, p. 26