sexta-feira, 21 de agosto de 2009

A tempestade (parte)

(...)

O céu mudou-se - e que transformação! Oh noite,
tempestades, trevas, sois surpreendentemente fortes,
embora sedutoras no vosso poderio, como o brilho
dos olhos sombrios duma mulher! Ao longe,
de monte em monte, entre os ecos dos rochedos
o trovão vibra. Não é duma única nuvem que vem,
mas cada montanha encontrou agora a sua linguagem,
e o Jura responde, com o seu manto de neblina
aos jubilosos Alpes, cujo apelo ressoa vivamente.

Tudo chegou contigo - noite tão gloriosa,
a que não se destina o nosso sono; deixa-me partilhar
do teu violento, longínquo encantamento
uma parte da tempestade e de ti mesma, noite!
Ah, como resplandece o lago, o fosfórico mar,
e a chuva abate-se a dançar sobre a terra!
Mais uma vez tudo é escuridão - e, agora, a alegria
das colinas sonoras freme com todo o seu excesso
como se sentissem prazer com o surto dum novo cataclismo.

(...)

Byron
in Poesia Romântica Inglesa (Byron, Shelley, Keats)
Relógio D'Água, 1992
Trad: Fernando Guimarães

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