quinta-feira, 28 de junho de 2012

« - Devo dizer-lhe, Gavrila Ardalionovitch - disse bruscamente o príncipe -, que é verdade que a doença que me afligiu noutros tempos, a ponto de me tornar quase idiota. Mas agora estou curado e já há muito tempo. Por isso, acho bastante desagradável que me trate abertamente de idiota. Se bem que os seus infortúnios lhe possam servir de desculpa, está transtornado a pontp de ser a segunda vez que me insulta. Isso desagrada-me, sobretudo tratando-se, como é o caso, do primeiro encontro. Estamos numa encruzilhada, o melhor será que nos separemos. (....)»



Fëdor Mixajlovič Dostoevskij. O Idiota. Tradução de Jorge Sampaio. Círculo de Leitores, Lisboa, 1978., p. 93/4

Talvez diga, por vezes, coisas estranhas...»

« Sei melhor do que ninguém que vivi menos tempo do que qualquer outro e compreendo a vida menos do que quem quer que seja. Talvez diga, por vezes, coisas estranhas...»


Fëdor Mixajlovič Dostoevskij. O Idiota. Tradução de Jorge Sampaio. Círculo de Leitores, Lisboa, 1978., p. 68

terça-feira, 26 de junho de 2012

Acaso não era possível viver fria, como a água de uma nascente, ignorando a febre amorosa?

«Acaso não era possível viver fria, como a água de uma nascente, ignorando a febre amorosa? Mas dava-se conta e estremecia: a vida tinha-a destroçado e pisado no seu almofariz sem curá-la dessa loucura e ''isso'', naturalmente, ia começar agora...Não escaparia ao inevitável.»



Alexéi Tolstói. A Víbora. Contos soviéticos. Tradução de Sampaio Marinho. Edições Progresso, 1980, p. 191

Não esquecia o passado. Vivia solitária, duramente.

«Não esquecia o passado. Vivia solitária, duramente. Mas a rudeza da vida de campanha ia-a deixando pouco a pouco. Olga voltava a ser mulher...




Alexéi Tolstói. A Víbora. Contos soviéticos. Tradução de Sampaio Marinho. Edições Progresso, 1980, p. 183

«Qual pássaro que voa com ímpeto num céu ventoso, enlouquecido, e de repente, partidas as asas, se abate sobre o chão como uma bola de penas, toda a vida de Olga, o seu amor inocente e apaixonado, se rompeu, se truncou; e começou para ela uma existência sem sentido, dura e incolor.»




Alexéi Tolstói. A Víbora. Contos soviéticos. Tradução de Sampaio Marinho. Edições Progresso, 1980, p. 181

«A sua alma cobria-se de cicatrizes como uma ferida curada.»


Alexéi Tolstói. A Víbora. Contos soviéticos. Tradução de Sampaio Marinho. Edições Progresso, 1980, p. 147

segunda-feira, 25 de junho de 2012

«Considerava a vida como uma tarefa séria, via e pensava demasiado, e vivia num alarme perpétuo. Tudo um coro discordante de perguntas estranhas ao espírito desta mulher, gritavam na minha alma.»
 
 
 
 
Máximo Górki. O Primeiro Amor. Contos soviéticos. Tradução de Sampaio Marinho. Edições Progresso, 1980, p. 136

''O amor e a fome governam o mundo''

«Não direi que amava o seu próximo, não; ela sentia prazer em observá-lo. Às vezes acelerava ou complicava a evolução dos pequenos dramas da existência entre os esposos e os amantes, fomentando habilmente os ciúmes de uns e a aproximação de outros, e esse jogo perigoso apaixonava-a muito.
     ''O amor e a fome governam o mundo'', e a filosofia é a sua desgraça - dizia -. Vive-se para amar; isso é o mais importante da vida.»
 
 
Máximo Górki. O Primeiro Amor. Contos soviéticos. Tradução de Sampaio Marinho. Edições Progresso, 1980, p. 133

Lauren Bacall smoking

«Mas há sentimentos, pensamentos e conjecturas das que não se falam senão à mulher amada. Há um momento no comportamento para com a mulher em que se deixa de ser um só e se abre só a ela como o crente para com o seu deus.»
 
 
 
Máximo Górki. O Primeiro Amor. Contos soviéticos. Tradução de Sampaio Marinho. Edições Progresso, 1980, p. 131
«(...) eu não possuía a arte de castigar o próximo sem ferir o seu amor próprio.»
 
 
Máximo Górki. O Primeiro Amor. Contos soviéticos. Tradução de Sampaio Marinho. Edições Progresso, 1980, p. 126
«Não há mulher que se respeite que não goste de ser lisonjeada.»
 
 
 
Máximo Górki. O Primeiro Amor. Contos soviéticos. Tradução de Sampaio Marinho. Edições Progresso, 1980, p. 123

''(...) parecia que tudo em volta se fundia num abismo húmido e sem fundo.''

Máximo Górki. O Primeiro Amor. Contos soviéticos. Tradução de Sampaio Marinho. Edições Progresso, 1980, p. 112

''endureci-me e tornei-me mais azedo''

«(...) tive um sem fim de impressões e de aventuras, endureci-me e tornei-me mais azedo, mas, no entanto conservei na minha alma a doce imagem imperecível daquela mulher, embora tivesse encontrado outras melhores e mais inteligentes do que ela.»


Máximo Górki. O Primeiro Amor. Contos soviéticos. Tradução de Sampaio Marinho. Edições Progresso, 1980, p. 111
«Amava aquela mulher até à loucura e a minha piedade por ela esta cheia de angústia e de raiva.»


Máximo Górki. O Primeiro Amor. Contos soviéticos. Tradução de Sampaio Marinho. Edições Progresso, 1980, p. 104

« (...) sorria com um sorriso que é absolutamente indispensável ao coração de um jovem de vinte anos, a um coração ferido pela rudeza da sua vida.»



Máximo Górki. O Primeiro Amor. Contos soviéticos. Tradução de Sampaio Marinho. Edições Progresso, 1980, p. 96

Máximo Górki

''...A coisa mais inteligente que o homem pode ter, é saber amar a mulher, inclinando-se perante a sua beleza: do amor pela mulher nasceu toda a beleza que há no mundo.''

Converter num deserto este país de canalhas

« - Oh, monsieur! Eu tenho a minha teoria: tudo, até aos alicerces. Compreende-me? Converter num deserto este país de canalhas. Temos cento e quarenta milhões de habitantes, mas só dois ou três milhões têm direito a viver. A flor da raça: a literatura, as artes, a ciência. Sou materialista. Os outros cento e trinta e sete milhões, serão convertidos em adubo! Compreende? Nada de superfosfatos, sais de nitrato, salitre! Adubar os campos com milhões de indivíduos! Os mujiks, os rufiões, a canalha rebelde: Todos para a máquina! Uma espécie de grão de café moído. Para reduzi-los a papa! Essa papa, uma vez prensada e seca, será derramada pelos campos, por todos os lugares em que a terra é má. Sobre esses campos assim adubados levantaremos a nova civilização dos eleitos.»



Boris Lavreniov. Uma Coisa Bem Simples. Contos soviéticos. Tradução de Sampaio Marinho. Edições Progresso, 1980, p. 50

conluio


1. combinação entre duas ou mais pessoas para prejudicar outrem
2. maquinação; trama
(Do latim colludĭu-, «jogo entre muitos; conluio»)

''Às mil maravilhas!''

bonomia

nome feminino
1. bondade natural aliada à simplicidade de maneiras
2. paciência

(Do francês bonhomie, «idem»)

''papalvo entusiasta''

«Au revoir, bravo jeune homme!»


Boris Lavreniov. Uma Coisa Bem Simples. Contos soviéticos. Tradução de Sampaio Marinho. Edições Progresso, 1980

«Vê-se que é um descrente. E o seu nome é mais de cão do que de pessoa! Cout...Cout...! Oh, quantos porcos tem este mundo!»


Boris Lavreniov. Uma Coisa Bem Simples. Contos soviéticos. Tradução de Sampaio Marinho. Edições Progresso, 1980

''indomável força de carácter''

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Eu tinha meus pés naquela parte da vida
Onde não se pode ir com intenção de regressar.


Dante Alighieri, Vita Nuova

Marilyn Monroe smoking a cigarette


eu sou a inércia criminosa e o exílio dos cães
tenho a amizade dos gatos e dos pobres
todas as minhas esposas me foram infiéis
soçobraram numa insensível loucura
das imagens e não das das almas
eles dizem que estou doido
mas o que estou é sozinho
um pouco triste
escutai-me
vou contar-vos tudo...
eu tinha-lhe dado uma cabra...
não
não estou doido
se me deres um cigarro eu continuo a história...





Tahar Ben Jelloun. Arzila. Estação de espuma.Texto Bilingue. Tradução de Al Berto Ilustrações de Luís Miguel Gaspar. Hiena Editora. Lisboa, 1987
Fui profeta da sabedoria e da verdade. Possuía as chaves da cidade. Senhor dos mares e dos pecadores. Sou hoje um cemitério de terracota. O mais belo cemitério onde vem desenvolver-se a loucura, onde dormem homens loucos de bondade, doentes por amor, doentes de razão.



Tahar Ben Jelloun. Arzila. Estação de espuma.Texto Bilingue. Tradução de Al Berto Ilustrações de Luís Miguel Gaspar. Hiena Editora. Lisboa, 1987
Ele abandonou a família
deixou crescer a barba
e encheu a sua solidão com pedras e sombra

Chegou ao deserto
a cabeça enrolada num sudário
o sangue derramado
em terra ocupada

E não era
nem herói nem mártir
era
cidadão do sofrimento



Tahar Ben Jelloun. Arzila. Estação de espuma.Texto Bilingue. Tradução de Al Berto Ilustrações de Luís Miguel Gaspar. Hiena Editora. Lisboa, 1987

«O silêncio de uma estrela
em troca de um pouco de água.»


Tahar Ben Jelloun. Arzila. Estação de espuma.Texto Bilingue. Tradução de Al Berto Ilustrações de Luís Miguel Gaspar. Hiena Editora. Lisboa, 1987
As raparigas
de ruiva cabeleira
esperam
a alma velada
lêem no horizonte do mar
por trás do véu branco da ilusão
o limite e os perfumes das areias
recostadas sobre os meandros
azuis do vento norte
pardais
perdem-se em suas cabeleiras
entrançadas de paciência


Tahar Ben Jelloun. Arzila. Estação de espuma.Texto Bilingue. Tradução de Al Berto Ilustrações de Luís Miguel Gaspar. Hiena Editora. Lisboa, 1987
A madrugada roça a vaga
lambe as botas dos pescadores adormecidos
desune as mãos calosas do servente de pedreiro
desperta os seios nus das raparigas que amassam o pão
e afasta-se para o céu
onde crianças magoadas
andam à procura de lume





Tahar Ben Jelloun. Arzila. Estação de espuma.Texto Bilingue. Tradução de Al Berto Ilustrações de Luís Miguel Gaspar. Hiena Editora. Lisboa, 1987

domingo, 17 de junho de 2012

O Pai

Na minha casa tenho as opiniões que me apetece. Não deixarei impor o silêncio na minha própria casa...




Bertold Brecht. «O Espião» in Teatro Contemporâneo. I antologia de teatro. Pirandello - Sartre - Anouilh - Arrabal - Brecht - Ionesco. Selecção de textos de Jacinto Ramos e Trad. de Virgínia Mendes. Editorial Presença, Lisboa, 1965., p. 260

«Eu, Bertold Brecht, vim das florestas
negras.
  A minha mãe também de lá veio
quando eu habitava no seu corpo.
   Nas cidades, o frio das florestas negras.
   Estará comigo até ao dia da minha
morte.

  As coisas pertencem a quem as tornar
melhores.»




Bertold Brecht. «O Espião» in Teatro Contemporâneo. I antologia de teatro. Pirandello - Sartre - Anouilh - Arrabal - Brecht - Ionesco. Selecção de textos de Jacinto Ramos e Trad. de Virgínia Mendes. Editorial Presença, Lisboa, 1965., p. 255

Vicente Aleixandre, ''el conocimiento que aporta Arrabal está teñido de una luz moral que está en la materia misma de su arte"

declaração de Samuel Beckett ao tribunal pedindo a absolvição de Fernando Arrabal «Se existe culpa, que ela seja analisada à luz do grande mérito de ontem e da grande promessa de amanhã e, portanto, perdoada. Que Fernando Arrabal seja entregue à sua própria pena.»

Tasla

Coragem! Não há motivo para corares de vergonha.



Viloro, entusiasmado

Acontece-me sem eu querer.

Tasla

De repente?

Viloro

Enfim, não é bem, mas quase.




Arrabal. «A Bicicleta do Condenado» in Teatro Contemporâneo. I antologia de teatro. Pirandello - Sartre - Anouilh - Arrabal - Brecht - Ionesco. Selecção de textos de Jacinto Ramos e Trad. de Virgínia Mendes. Editorial Presença, Lisboa, 1965., p. 214

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Senhor Orlas

«Não é preferível a um lar, com filhos, a gritar agarrados às tuas saias, uma criada e as suas caçarolas para tomar conta? O amor afoga-se na vida de todos os dias. O nosso amor será todas as manhãs uma coisa nova a conquistar e a defender. Teremos cenas horrorosas, torturar-nos-emos atrozmente um ao outro, despedaçar-nos-emos todos os dias, sem podermos passar um sem o outro; ambos escravos e tiranos. Os homens hão-de desejar-te em todas as festas onde passaremos as noites, e o seu desejo revelar-te-á a ti própria. Tu divertir-te-ás a fazer-me sofrer e eu nunca saberei se tu me amas verdadeiramente, nem o que escondem os teus sorrisos; e se acontecer estares longe uma hora, um dia...um verme roer-me-á para sempre o coração. Porque tu mentir-me-ás sempre e serás para mim um eterno mistério...Viver é isto, Araminthe! É isto, ser mulher e amar!»



Jean Anouilh. «Cecile ou a escola de pais» in Teatro Contemporâneo. I antologia de teatro. Pirandello - Sartre - Anouilh - Arrabal - Brecht - Ionesco. Selecção de textos de Jacinto Ramos e Trad. de Virgínia Mendes. Editorial Presença, Lisboa, 1965., p. 198
Senhor Orlas

«(...) Quando me fecho no meu gabinete, todos pensam que estou a trabalhar, não é assim? ( Em quê, meu Deus?Nunca fiz nada na minha vida!) A casa inteira caminha nas pontas dos pés para não me incomodar. E sabe o que eu faço nesse santuário? Fico sentado horas e horas a olhar a mesa em frente de mim.»




Jean Anouilh«Cecile ou a escola de pais» in Teatro Contemporâneo. I antologia de teatro. Pirandello - Sartre - Anouilh - Arrabal - Brecht - Ionesco. Selecção de textos de Jacinto Ramos e Trad. de Virgínia Mendes. Editorial Presença, Lisboa, 1965., p. 180
Garcin
Morri cedo demais. Não me deram tempo para realizar os meus actos.

Inês
Morre-se sempre demasiado cedo - ou demasiado tarde...E no entanto a vida lá está, terminada, o traço marcado, é preciso fazer a soma. Tu não és nada além da tua vida.

Garcin
Víbora! Tens resposta para tudo.





Jean Paul-Sartre. A Porta Fechada in Teatro Contemporâneo. I antologia de teatro. Pirandello - Sartre - Anouilh - Arrabal - Brecht - Ionesco. Selecção de textos de Jacinto Ramos e Trad. de Virgínia Mendes. Editorial Presença, Lisboa, 1965., p. 140/1

It's A Storm When I Sleep....It's A Storm When I Sleep...It's A Storm When I Sleep...It's A Storm When I Sleep....

Garcin

«Dar-te-ei o que puder. Não é muito. Não te amarei; conheço-te demasiadamente bem.»



Jean Paul-Sartre. A Porta Fechada in Teatro Contemporâneo. I antologia de teatro. Pirandello - Sartre - Anouilh - Arrabal - Brecht - Ionesco. Selecção de textos de Jacinto Ramos e Trad. de Virgínia Mendes. Editorial Presença, Lisboa, 1965., p. 123
Inês

«Vem! Serás o que tu quiseres, água pura, água suja; encontrar-te-ás no fundo dos meus olhos tal como te desejas.»


Jean Paul-Sartre. A Porta Fechada in Teatro Contemporâneo. I antologia de teatro. Pirandello - Sartre - Anouilh - Arrabal - Brecht - Ionesco. Selecção de textos de Jacinto Ramos e Trad. de Virgínia Mendes. Editorial Presença, Lisboa, 1965., p. 122
Inês

«Sinto-me vazia. Agora estou realmente morta.»


Jean Paul-Sartre. A Porta Fechada in Teatro Contemporâneo. I antologia de teatro. Pirandello - Sartre - Anouilh - Arrabal - Brecht - Ionesco. Selecção de textos de Jacinto Ramos e Trad. de Virgínia Mendes. Editorial Presença, Lisboa, 1965., p. 113
Inês
(...) Eu sou perversa.


Garcin
Sim. Eu também sou.


Inês
 Não, você não é perverso, você é outra coisa.



Jean Paul-Sartre. A Porta Fechada in Teatro Contemporâneo. I antologia de teatro. Pirandello - Sartre - Anouilh - Arrabal - Brecht - Ionesco. Selecção de textos de Jacinto Ramos e Trad. de Virgínia Mendes. Editorial Presença, Lisboa, 1965., p. 92

ESTELA

«Ah! sim, por dentro...Tudo o que se passa na cabeça é tão vago que me dá sono. (Um tempo). Tenho no meu quarto de dormir seis enormes espelhos. Estou a vê-los. Mas eles não me vêem. Reflectem a «Causeuse», o tapete, a janela...Como é vazio um espelho que não reflectia minha imagem. Enquanto falava procurava sempre a maneira de ter um espelho onde me pudesse ver. Falava e via-me falar. Via-me como os outros me viam e isso mantinha-me viva. (Com desespero). O meu bâton? Tenho a certeza que o pus mal. Não posso ficar sem espelho para a toda a eternidade.»



Jean Paul-Sartre. A Porta Fechada in Teatro Contemporâneo. I antologia de teatro. Pirandello - Sartre - Anouilh - Arrabal - Brecht - Ionesco. Selecção de textos de Jacinto Ramos e Trad. de Virgínia Mendes. Editorial Presença, Lisboa, 1965., p. 92
ESTELA

«Não posso suportar que esperem qualquer coisa de mim. Apetece-me imediatamente fazer o contrário.»



Jean Paul-Sartre. A Porta Fechada in Teatro Contemporâneo. I antologia de teatro. Pirandello - Sartre - Anouilh - Arrabal - Brecht - Ionesco. Selecção de textos de Jacinto Ramos e Trad. de Virgínia Mendes. Editorial Presença, Lisboa, 1965., p. 85
Garcin

(...)

«Não chora; ela nunca chorava. Está um belo dia de sol e ela está toda de negro na rua deserta, com os seus grandes olhos de vítima. Ah! Ela irrita-me.»




Jean Paul-Sartre. A Porta Fechada in Teatro Contemporâneo. I antologia de teatro. Pirandello - Sartre - Anouilh - Arrabal - Brecht - Ionesco. Selecção de textos de Jacinto Ramos e Trad. de Virgínia Mendes. Editorial Presença, Lisboa, 1965., p. 79
Garcin

«Compreendo muito bem que a minha presença a incomode. Pessoalmente, também preferia estar só. Necessito de pôr a minha vida em ordem e tenho absoluta necessidade de me concentrar. Mas estou certo que nos poderemos habituar um ao outro; não falo, não me mexo e faço pouco barulho. Simplesmente, se me permite dar-lhe um conselho, precisamos de conservar entre nós uma grande delicadeza. Essa será a nossa melhor defesa.»





Jean Paul-SartreA Porta Fechada in Teatro Contemporâneo. I antologia de teatro. Pirandello - Sartre - Anouilh - Arrabal - Brecht - Ionesco. Selecção de textos de Jacinto Ramos e Trad. de Virgínia Mendes. Editorial Presença, Lisboa, 1965., p. 72

domingo, 3 de junho de 2012

«Oh, Capaneu, já que o teu orgulho não se modera, mais ainda serás castigado; a dor que a tua raiva trará será o teu pior martírio.»
 
 
 
Dante. A Divina Comédia (Tomo I). Tradução Rui Viana Pereira. Ediclube., p. 54

não meter prego nem estopa

não tomar parte num acto ou numa discussão, não emitir opinião, não ter nada a ver com o assunto

''não se voltou demasiado contra si próprio''


«Todos temos mais ou menos essa fraqueza; connosco, somos indulgentes, e descarregamos toda a nossa ira para cima do próximo: um criado, um subordinado, a própria esposa, às vezes até uma cadeira que voa pelos ares e vai espedaçar-se contra a porta.»



Nikolai Gógol. Almas Mortas. Círculo de Leitores, 1ª Edição, 1977, p. 187

facúndia

nome feminino
1. elocução fácil
2. eloquência
3. verbosidade

(Do latim facundĭa- «eloquência»)

''sensação opressiva de vazio''

Evangel reflected

« - Permite a estes humildes mortais a ousadia de lhe perguntarem qual o objecto dos seus pensamentos?»


Nikolai Gógol. Almas Mortas. Círculo de Leitores, 1ª Edição, 1977, p. 179
«Duas rolas te mostrarão
O meu cadáver gelado,
E os seus arrulhos te dirão
Que morri de tanto chorar.»


Nikolai Gógol. Almas Mortas. Círculo de Leitores, 1ª Edição, 1977, p. 172
«''O que é a vida? Um vale de amarguras. O que é o mundo? Um amálgama de seres insensíveis.''»


Nikolai Gógol. Almas Mortas. Círculo de Leitores, 1ª Edição, 1977, p. 172

Boris Lavreniov (1891 - 1959)

''Na literatura, tal como na vida, detesto atitudes de orgulho, a afectação, a enfatuação, os trejeitos. Não gosto de escritores que se apresentam a si mesmos como cálices de eleição, que não falam uma linguagem humana e preferem os oráculos sentenciosos. Amo a língua viva e popular; cuido da sua pureza e luto por ela'', escreveu Boris Lavreniov na sua autobiografia, terminada pouco antes da sua morte.



«Giulia

Então, ao menos, mata-me.


André, encolhendo os ombros com indeferença

Podes matar-te a ti mesma.»




Luigi Pirandello. O Torno in Teatro Contemporâneo. I antologia de teatro. Pirandello - Sartre - Anouilh - Arrabal - Brecht - Ionesco. Selecção de textos de Jacinto Ramos e Trad. de Virgínia Mendes. Editorial Presença, Lisboa, 1965., p. 52

                                                               Giulia

   «Fica a meio da sala com os olhos terrivelmente fixos num pensamento cruel.»




Luigi Pirandello. O Torno in Teatro Contemporâneo. I antologia de teatro. Pirandello - Sartre - Anouilh - Arrabal - Brecht - Ionesco. Selecção de textos de Jacinto Ramos e Trad. de Virgínia Mendes. Editorial Presença, Lisboa, 1965., p. 32

«o inferno são os outros»

(«Vim das florestas negras...»)

hodierno


do dia de hoje; de agora; atual; moderno
(Do latim hodiernu-, «idem»)

imorredouro


1. que não é morredouro
2. que não acaba; imperecível
3. imortal; eterno
4. perdurável
(De in-+morredouro)

puro «divertissement»