segunda-feira, 23 de novembro de 2015


«A impressão de coisas frias...coisas tristes...de coisas a que não há nada que fazer...»


António PatrícioTeatro Completo. Assírio & Alvim. Lisboa, 1982., p. 114

«Nem sossegou na vida nem na morte.»


António PatrícioTeatro Completo. Assírio & Alvim. Lisboa, 1982., p. 110

«Tomara eu que o vento se calasse.»


António PatrícioTeatro Completo. Assírio & Alvim. Lisboa, 1982., p. 110

«(...), cem anos que eu viva, há-de viver dentro e mim o sangue e lume.»


António Patrício. Teatro Completo. Assírio & Alvim. Lisboa, 1982., p. 107

transir

açodadamente

Poinsétia


«PRIMEIRA FREIRA

Mas com os olhos cheios de sol...»


António PatrícioTeatro Completo. Assírio & Alvim. Lisboa, 1982., p. 98

sábado, 21 de novembro de 2015

Jerzy Kosiński- Nude Story, (Studium Aktu),1956


"Nenhum gato reconheceu Ulisses no
seu regresso a casa. Nem consta
que algum brincasse com os novelos
que a mulher dobava e desdobava
durante a longa ausência para
iludir os pretendentes. Por isso
me soa estranha a Odisseia e o
regresso a Ítaca sem o festivo içar
da cauda dum gato."
-"O Segundo Olhar"
- Inês Lourenço
"Traduzir rostos, escrever rostos, caminhar rostos:
as tarefas essenciais do ofício."
-"O Mistério do Ofício"
- Pablo Javier Pérez Marques
"A alma e o mundo estão confundidos um com o outro, de maneira que eu tento fazer a história dessas percepções, desse sentimento. Essa é que é a nossa história, uma história real. A história de uma personagem que existe e se desenvolve não é comigo, embora eu adore esses grandes, sei lá, Rousseau, por exemplo. Rousseau foi um dos primeiros que perceberam que contra a história dele era contar, refazer a história do mundo, para que ele correspondesse àquilo que ele imaginava que seria a sua vocação."


Eduardo Lourenço / José Jorge Letria"Eduardo Lourenço: A História é a Suprema Ficção"
(Entrevistas)

Nikos Kazantzakis in Crete, as a member of the Central Committee for the Verification of Atrocities on Crete of the German and Italian occupying forces. July 1945.


"Há um pássaro pequeno dentro das costelas da alma.
Escutá-lo entre o ruído ou sob o silêncio é saber quem somos."
-"O Mistério do Ofício"
- Pablo Javier Pérez López

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

"(amamos a infelicidade com desespero. Não usamos perfumes nem cremes para mascarar o corpo, não usamos filhos para a sobrevivência, aliás nem filhos temos, e eu não os poderei ter, quanto ao mano, as mulheres das revistas não engravidam com o seu esperma, temos esta casa e dinheiro para acordarmos todos os dias sós. Confortavelmente sós. Temos os corpos dos outros, temos sempre os corpos dos outros, como num filme mudo, andam calados pelo ecrã, mostram-se em cada passada, somos os espectadores dessa passagem)"

Rui Nunes. "A Boca na Cinza" 
«Por toda a parte há gente que tem fome enquanto outros lambem os beiços, enfartados. Por toda a parte há lobos e cordeiros: ou comes ou és comido. Só uma lei permanece inviolável no mundo: a lei da selva.»


Nikos Kazantzakis. Carta a Greco. Trad. Armando Pereira da Silva e Armando da Silva Carvalho. Editora Ulisseia, Lisboa, p. 194

«SIGLA: Não há nada pior do que enganar a memória. E tu fazes por isso, Nina.

(...)

SIGLA: Enches buracos.

(...)

SIGLA: Cruzas...Inventas enredos, os tais enredos. E depois saem fantasmas.

(...)

SIGLA: Fantasmas...escreve aí, anda! Eu para ti passo a vida a carregar os fantasmas que tu inventaste.»


José Cardoso Pires. Corpo-Delito na Sala de Espelhos. Publicações Dom Quixote, Porto, 1ª ed, 1980., p 58

sim-ples-men-te

MATAR O TEMPO


José Cardoso Pires. Corpo-Delito na Sala de Espelhos. Publicações Dom Quixote, Porto, 1ª ed, 1980., p 54

semidelírio

''em pinceladas negras imita lágrimas de rímel''


José Cardoso Pires. Corpo-Delito na Sala de Espelhos. Publicações Dom Quixote, Porto, 1ª ed, 1980., p 49

«(...) À força de guardarmos o sono dos outros acabamos por perder o nosso.

TRALÁLÁ: O nosso, vírgula! Eu cá, graças a Deus, durmo que nem uma pedra!»


José Cardoso Pires. Corpo-Delito na Sala de Espelhos. Publicações Dom Quixote, Porto, 1ª ed, 1980., p 47
« TRALÁLÁ: Com sabidonas é que eu me entendo.»

José Cardoso Pires. Corpo-Delito na Sala de Espelhos. Publicações Dom Quixote, Porto, 1ª ed, 1980., p 44

domingo, 15 de novembro de 2015

"Outrora o relógioa tocava nas asas das borboletas e o fecundo pó depositava-se-me na boca. O tempo, em Cuma, tem sabor a saliva. Há quem espere por nós para morrer docemente entre as silvas, a camisa branca manchada de um mosto acre, enquanto as abelhas zumbem em torno dos cachos de amoras, embaciando-os. Pedi boleia na estrada que vai de Cuma para onde."

-"Quem da Pátria Sai a Si Mesmo Escapa?"
- Rui Nunes

''espelhismo''


''autenticidade inautêntica''

«O teatro é o lugar por excelência da conversão da aparência em verdade, o momento em que Édipo cega para se ver.»

Eduardo Lourenço

elipse cinematográfica

«A tradição e as gerações anteriores pesam como um pesadelo sobre o cérebro dos vivos»

Marx


"lábios ressuscitou a luminescente abelha de uma lágrima. comoveu-se, quando a criança, assustada, lhe perguntou:
- em que idade do coração se apaga o riso dos homens?
regressava de um corpo onde"
...
-"O Medo"
- Al Berto


"Não passe este prospecto sem o ter lido todo.
Não passe uma porta se encontrar alguém que chora do outro lado.
Observe bem antes que o acusem de homicídio,
que uma sombra urgente o abrace sem mágoa, o
confunda com outro,
lhe faça sinais e convide para a cama...
Portanto, leia em pormenor o papel; depois vêm-nos
reclamar e não estamos, compreenderá, para isso.
Se lhe surgir alguma dúvida,
se lhe vier de repente um sorriso aos lábios ou pensar que lhe mentem,
rasgue o papel em mil pedaços, não se preocupe, há perdão
para o furtivo,
não constará no expediente, continue.
Momentos há em que rasgados os papéis mais fácil é.
mais bela é a leitura:
reconhece-se antes a palavra seguinte,
pronuncia-se com facilidade e verso e deixam de notar-se
as lentas torções do decassílabo.
Ao fundo, na expressão:
não se esqueça de apagar o cigarro, abir a alma,
murmurar à sua sombra algum silêncio:
apagar a luz, sentir entre os lençóis
o livro a fechar-se, ouvir as boas noites."

- Jesús Urceloy 
-"Poesia Espanhola, Anos 90"

«Os perfumes na sombra têm uma voz de aparição.»


António PatrícioTeatro Completo. Assírio & Alvim. Lisboa, 1982., p. 77

«O luar bate nos poiais de pedra»


António PatrícioTeatro Completo. Assírio & Alvim. Lisboa, 1982., p. 76

Nikos Kazantzakis with Eleni Samiou (later Eleni N. Kazantzakis) at their house in Aegina. 1941.


«Vou dizer-te um segredo para te mostrar uma vez mais, como te quero.»


António PatrícioTeatro Completo. Assírio & Alvim. Lisboa, 1982., p. 73

«Nem Deus nem a Morte
Puderam levar-te.»


António PatrícioTeatro Completo. Assírio & Alvim. Lisboa, 1982., p. 68

meio-morto

«Queria dormir, dormir dias sem conto.»


António PatrícioTeatro Completo. Assírio & Alvim. Lisboa, 1982., p. 64

inanidade

«E uma chuva de granadas foi cair, incendiando os palácios que a enquadram, matando por centenas, num relâmpago...»


António Patrício. Teatro Completo. Assírio & Alvim. Lisboa, 1982., p. 49

«nós éramos e somos 
gente insignificante»

Fernando Assis Pacheco. A Musa Irregular. Edições Asa. Lisboa, 1991., p. 200

''grânulos de luz''


«Eu sentava-me diante da arrecadação
tentando recordar uns seios altos»

Fernando Assis Pacheco. A Musa Irregular. Edições Asa. Lisboa, 1991., p. 193

''pode morrer tudo aos poucos''


Fernando Assis Pacheco. A Musa Irregular. Edições Asa. Lisboa, 1991., p. 191

«Não são noites, são rios 
de suor na almofada.
O mais está parado.
É uma ausência da alma.
Não são noites, são horas
hora a hora empurradas.
O mais está parado.
É uma ausência de lágrimas.

                                                      1964»

Fernando Assis Pacheco. A Musa Irregular. Edições Asa. Lisboa, 1991., p. 160

Nikos and Eleni in Aegina. 1940.


''Doías-me nos olhos,''

Fernando Assis Pacheco. A Musa Irregular. Edições Asa. Lisboa, 1991., p. 186

ma.ré.gra.fo

amor violento

(...)

«acenderei um cigarro pensando que estou triste

é notável tudo isto o amor do amor
em rosa e oiro. E não há cura.»




Fernando Assis Pacheco. A Musa Irregular. Edições Asa. Lisboa, 1991., p. 160

''coisa rúim de cinza e névoa e cinza''


Fernando Assis Pacheco. A Musa Irregular. Edições Asa. Lisboa, 1991., p. 133

''nem sou sequer quem muda mas um outro''


Fernando Assis Pacheco. A Musa Irregular. Edições Asa. Lisboa, 1991., p. 123

'' o mal de muita gente é que anda aos gritos''


Fernando Assis Pacheco. A Musa Irregular. Edições Asa. Lisboa, 1991., p. 120

''cobra de vidro''

Dance like nobody's watching


"A minha pintura é o meu corpo, a minha obra é o meu corpo.” Helena Almeida

flores de limoeiro

relampaguear

sábado, 14 de novembro de 2015

"Quem quer que se decida a falar da estupidez corre hoje o risco de ser insultado: podem acusá-lo de pretensiosismo ou de querer perturbar o curso da evolução histórica.
Eu próprio escrevi já há alguns anos:«Se a estupidez não se assemelhasse, a ponto de se confundir, com o progreso, o talento, a esperança ou o aperfeiçoamento, ninguém desejaria ser estúpido.» Isso foi em 1931; e não há quem se atreva a negar que o mundo conheceu, desde então, inúmeros progressos e aperfeiçoamentos! Assim tornou-se pouco a pouco impossível adiar a questão:«O que é. exactamente a estupidez?»"

-"Da Estupidez"
- Robert Musil
"Por entre os fios unidos dos cabos, o caminho turvo
Que sobe, que muda com a luz e o voo das cordas, -
Milhas e milhas de luar que vai e vem, tornando sincopada
A agitação murmurada, telepatia de fios.
Lá, no índex da noite, granito e aço -
Malhas tranparentes - imaculados degraus que cintilam -
Vozes sibilinas vacilam, fluxo hesitante
como se das cordas um deus emanasse...
E pelo meio deste cordame, tecendo com o seu apelo
Um arco sinóptico de todas as águas lá em baixo -
As suas gargantas labirínticas da história
Lançam uma resposta como se todosos barcos do mar
Se empenhassem num múrmurio vibrante tornado grito -
«Tem a certeza do teu amor - para lhe teceres a canção que oferecemos!"
- Das represas negras, sons imóveis chamaram,
E do seu sonho responderam sete oceanos."

-"A Ponte"
- Hart Crane

“Não creio que haja maior respeito que chorar por alguém que não se conheceu.” - José Saramago


C’est dans la rosée des petites choses que le cœur trouve son matin et se rafraîchit.
Khalil Gibran

9

não pude amar mais nada
não pude mais ninguém
e mesmo que te minta
é o contrário disso

e mesmo que te minta
é a verdade seca
posta ali às avessas;
não pude amar mais claro


Fernando Assis Pacheco. A Musa Irregular. Edições Asa. Lisboa, 1991., p. 110

Praia das Maçãs


Barnett’s debut album, Sometimes I Sit and Think, and Sometimes I Just Sit,





Dead Fox




Jen insists that we buy organic vegetables

And I must admit that I was a little sceptical

At first a little pesticide can't hurt

Never having too much money I get the cheap stuff

At the supermarket but they're all pumped up with shit

A friend told me that they stick nicotine in the apples




If you can't see me I can't see you




Heading down the highway hume

Somewhere at the end of june

Taxidermied kangaroos are littered on the shoulders

A possum jackson pollock is painted on the tar

Sometimes I think a single sneeze could be the end of us

My hay-fever is turning up

Just swerved into a passing truck

Big business over-taking, without indicating

He passes on the right, been driving through the night

To bring us the best price




If you can't see me I can't see you




More people die on the road than they do in the ocean

Maybe we should mull over culling cars

Instead of sharks or just lock them up in parks

Where we can go and view them

There's a bypass over holbrook now

Paid for with burgers no doubt

I've lost count of all the cows

There'll be no salad sandwiches

The law of averages says that we'll stop in the next town

Where the petrol price is down



sexta-feira, 13 de novembro de 2015

“O máximo, isso é o que sempre me interessou" Josef Koudelka

''dores de Ausência''


Fernando Assis Pacheco. A Musa Irregular. Edições Asa. Lisboa, 1991., p. 94

Milan, Italy



«e vejo vê-se
o indicador direito
manchado de nicotina»


Fernando Assis Pacheco. A Musa Irregular. Edições Asa. Lisboa, 1991., p. 84

beiçola

ISSO, A WALTER


E vivo que me queres - matarás-me
se vivo te disser que me vi morto?
O cano da pistola tenta um vivo.
Assim eu só voltei para contar-te

que entre o vivo e o morto arrefeceu
aquilo que tu chamas céu da boca,
chão da morte no vivo, terrapleno
disposto para a casa duma bala.

Tu vivo me querias? Porém morto
venho de merda, sangue, frio, pó,
que é a vida que fica dessa morte
na pistola arrependida, na pistola.

Cala já. Não perguntes. Tenho medo
que ao som da tua voz acabe a minha.


Fernando Assis Pacheco. A Musa Irregular. Edições Asa. Lisboa, 1991., p. 69

''breves lágrimas inúteis na almofada''


Fernando Assis Pacheco. A Musa Irregular. Edições Asa. Lisboa, 1991., p. 69

'da-se!


quinta-feira, 12 de novembro de 2015

''campo de concentração democrático''


"O anjo não se preocupava muito com a minha revolta.
Eu só era o seu veículo, e ele tratava-me como veículo.
Preparava a sua saída. As minhas crises aceleraram-lhe a cadência, e todas se fizeram uma só crise comparável à aproximação do parto. Mas parto monstruoso, que não beneficiava do instinto maternal e da confiança que daí resulta. Imagine-se uma partogénese, um casal formado por um só corpo e que dá à luz. Depois de uma noite em que pensei no suicídio, a expulsão teve enfim lugar na rua d'Anjoou. Durou sete dias em que o vale-tudo da personagem ultrapassava todos os limites por me forçar a escrever contra vontade."

-"O Livro Branco"/ "O Fantasma de Marselha"
- Jean Cocteau

segunda-feira, 9 de novembro de 2015


"Imagem de juventude e aparente felicidade
ou, pelo menos, de irresponsável alegria,
que regressa tenaz à memória,
mesmo ao recordar que quase tudo foi mentira.
Nem velhos, nem jovens, mas sabíamos
que enganar-nos, que repetir a farsa, era o único,
o mais digno que restava de nós mesmos.
Vodka transparente, os teus olhos escuros,
entreabertos, enquanto te despia,
o ranger da cama e o corpo a quebrar-se.
Depois, meio adormecido, recordo-te a sair
nua, debaixo da trémula lâmpada,
luz verde, escassa, sobre as árvores e a piscina,
sombra na sombra e um baque na água.
Estrondo de palmeiras e pássaros estridentes
enquanto beijo nos teus lábios gotas cálidas,
o teu cabelo húmido, a carícia dos teus dedos.
Os nossos dois corpos juntos, os que chegam agora,
actores sem trabalho, estandartes inúteis,
derrotada ficção na guerra do tempo."


-"Poemas"
- Juan Luis Panero

domingo, 8 de novembro de 2015


"Antes que chegue a noite sobre o mar
e atire o vemto da nortada
as minhas húmidas cinzas para o nada.
Antes que os gastos gestos se dissolvam,
tal como um sorriso que se transforma em esgar
ou os cansados espasmos de um amor extinto.
Antes, ainda, como este sol sobre as ilhas,
tenaz ponto de luz, cor intensa,
que minhas palavras desenhem meu fantasma,
salvo e perdido, na pura intensidade da vida."

-"Poemas"
- Juan Luis Panero

«A minha pele, a minha pele oiço-a a estalar,
Quando de deito...»

António Patrício. Teatro Completo. Assírio & Alvim. Lisboa, 1982., p.

sofrear


«Sei fazer versos mas doem.
Ninguém me conhecia dentro do arame.»

Fernando Assis Pacheco. A Musa Irregular. Edições Asa. Lisboa, 1991., p. 51

«O único sítio de paz foi cavado anteontem. Entra-se por um lado, caga-se e sai-se pelo outro.»

Fernando Assis Pacheco. A Musa Irregular. Edições Asa. Lisboa, 1991., p. 50

«Eu sou uma brevíssima pátria de pés esfolados.»


Fernando Assis Pacheco. A Musa Irregular. Edições Asa. Lisboa, 1991., p. 50

6


As bombas - e tu se calhar crês que não - explodiam na mesa de cabeceira. Literalmente. Explodiam às três e às quatro. Morri numa sexta-feira, uma quinta, no dia seguinte davam-se massas ao faxina para recolher tudo para o balde - ossos, tripas, tudo.


Fernando Assis Pacheco. A Musa Irregular. Edições Asa. Lisboa, 1991., p. 49
«Dei-vos então o poder
de pisardes serpentes,»

Fernando Assis Pacheco. A Musa Irregular. Edições Asa. Lisboa, 1991., p. 44/5

«Morremos dez vezes
para nascer dez vezes,»


Fernando Assis Pacheco. A Musa Irregular. Edições Asa. Lisboa, 1991., p. 39

«Sim: tentarei o canto mesmo de gatas.»

José Bação Leal
Todo pasa y todo queda,
pero lo nuestro es pasar,
pasar haciendo caminhos,
caminos sobre la mar

Antonio Machado

«Eras tu, amor? - Era eu, era eu!»


Fernando Assis Pacheco. A Musa Irregular. Edições Asa. Lisboa, 1991., p. 30

«Não sei
se o que chamam amor é este apaziguamento.
Não sei se comias fogo. (...)»

Fernando Assis Pacheco. A Musa Irregular. Edições Asa. Lisboa, 1991., p. 29

«A tua nudez inquieta-me.»


Fernando Assis Pacheco. A Musa Irregular. Edições Asa. Lisboa, 1991., p. 28

«Duros seios que esmago contra o peito»


Fernando Assis Pacheco. A Musa Irregular. Edições Asa. Lisboa, 1991., p. 27

«Loucas mãos: para o amor violento.»


Fernando Assis Pacheco. A Musa Irregular. Edições Asa. Lisboa, 1991., p. 23

''deslumbramento aceso''


eclusa

''sistema de comportas que permite aos navios vencer a diferença de nível existente num troço de rio, canal ou entre dois lagos ou oceanos''
a toda a brida a toda a pressa, à desfilada
(...)

«Aconselho-vos o amor
cheio de força; os moinhos
girando ao vento desbridado.
Aconselho-vos a liberdade
do amor (que logo passa
- (vão dizer-vos que não  -
para os gestos diários).

ACONSELHO-VOS A LUTA.


Fernando Assis Pacheco. A Musa Irregular. Edições Asa. Lisboa, 1991., p. 23

«Beberá na boca da amada.»


Fernando Assis Pacheco. A Musa Irregular. Edições Asa. Lisboa, 1991., p. 21

Pessoas bonitas não acontecem por acaso...

“As pessoas mais bonitas que conhecemos são aquelas que conheceram o sofrimento, conheceram a derrota, conheceram o esforço, conheceram a perda e encontraram seu caminho para fora das profundezas. Essas pessoas têm uma apreciação, uma sensibilidade e uma compreensão da vida que as enche de compaixão, gentileza e uma profunda preocupação amorosa. Pessoas bonitas não acontecem por acaso…”

Elisabeth Kübler-Ross

«Sei que vais já morta, ferida no coração
por pedras e nevoeiros, por tarântulas.»

Fernando Assis Pacheco. A Musa Irregular. Edições Asa. Lisboa, 1991., p. 16
"Não é fácil resistir a tudo
o que nos roubam.
Tempo, memória, mundo.
Toleramos o intolerável
com insuportáveis venenos.
Até melhor ordem, se houver.


Noutras casas (lembro-me)
éramos mais, bebíamos
apressadamente a juventude.
Mas a vida - chamemos-lhe
assim - separa os que se juntam,
gosta de abismos fáceis.

Ao quinto ou sexto gin
(lembras-te?) deitávamo-nos
a sorrir para as estrelas,
sobre o pano gasto do bilhar.

A música era esta.
Perdemos quase tudo."

-"A Última Porta" (Antologia)
- Manuel de Freitas

«o cigarro entre os lábios, meio ardido.»


Fernando Assis Pacheco. A Musa Irregular. Edições Asa. Lisboa, 1991., p. 15
“I have Graham Greene’s telephone number,
 but I wouldn’t dream of using it. 
I don’t seek out writers 
because we all want to be alone.”

 Patricia Highsmith

sábado, 7 de novembro de 2015

"À meia-noite, pelo telefone,
conta-me que é fulva a mata do seu púbis.
Outras notícias
do corpo não quer dar, nem de seus gostos.
Fecha-se em copas:
Se você não vem depressa até aqui,
nem eu posso correr à sua casa,
que seria de mim até ao amanhecer?"

Concordo, calo-me."

-"O Amor Natural"
- Carlos Drummond de Andrade

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

«Nada é igual ao que foi antes»


Fernando Assis Pacheco. A Musa Irregular. Edições Asa. Lisboa, 1991., p. 15

UM VENTO LEVE, UMA ESPUMA


Do beijo fica um sabor,
do sabor uma lembrança,
um vento leve, uma espuma.

Do beijo fica um sereno
olhar, o amor de coisas
minúsculas e humildes,
um pássaro que vai e vem
da nossa boca às palavras.
Do beijo fica, suprema,
a descoberta da morte.
Um vento leve, uma espuma
salgada, à flor dos lábios.


Fernando Assis Pacheco. A Musa Irregular. Edições Asa. Lisboa, 1991., p. 14

«Feriste, feriste-me sem remédio.»


Fernando Assis Pacheco. A Musa Irregular. Edições Asa. Lisboa, 1991., p. 12

«Deste um nome de incêndio a certas palavras.»


Fernando Assis Pacheco. A Musa Irregular. Edições Asa. Lisboa, 1991., p. 12

«Tentas, de longe, dizer que estás aqui.»


Fernando Assis Pacheco. A Musa Irregular. Edições Asa. Lisboa, 1991., p. 12
(...)

« a tua ternura quer matar-me.
Quem sabe, amor, onde o amor se fere?»


Fernando Assis Pacheco. A Musa Irregular. Edições Asa. Lisboa, 1991., p. 12

SENTO-ME NA TUA TERNURA A CHUVA CAI


Fernando Assis Pacheco. A Musa Irregular. Edições Asa. Lisboa, 1991., p. 11
«Os gritos a meio da noite
das amantes a meio da loucura voavam
como facas para o meu peito.»



Fernando Assis Pacheco. A Musa Irregular. Edições Asa. Lisboa, 1991., p. 11

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

"Estamos enterrados debaixo do peso da informação,
que está a ser confundida com conhecimento;
a quantidade está a ser confundida com abundância
e a riqueza com felicidade.
Somos macacos com dinheiro e armas"


Tom Waits

"Deus, o único ateu perfeito"


 Teixeira de Pascoaes

outoniço

"A história acabou ali. O resto é só um caminho para o princípio: a tua morte. Ou mais longe ainda: uma cidade que irias percorrer, que o teu olhar esvaziava de outro olhar.E por outro lado quem sempre te vira, via-te. Atrás das janelas, por entre as cortinas, ou sentados na tabernas ou; não o conheço, ou: boa noite Tonito, ou mudavam de passeio, ou o riso dos pescadores que consertavam as redes: olha o gajo à procura de homem, aquela vergonha, antes ladrão que paneleiro. Há tantos anos. Ou desde sempre.
Um lugar cercado: seria o teu. Um lugar aguarda o homem que lhe dará o cerco. A mágoa. A mácula. A mancha. Não a mancha: o borrão."

-"(ou, transigindo, de que lado passarás a morrer, a clarear)?
- Rui Nunes

domingo, 1 de novembro de 2015

"Em nenhuma
parte
da terra
me posso
fixar
A cada
novo
clima
que encontro
descubro
indolente
que
já de uma vez
a ele me tinha
habituado
E assim me afasto sempre
estrangeiro"

-"Sentimento do Tempo"
- Giuseppe Ungaretti

ANONIMATO Diogo Vaz Pinto &etc (2015)


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